Este artigo da revista Forbes escrito por Kiri Blakeley em Junho deste ano foi indicação da querida Ilana Berenholc e acho que super vale a leitura para entender melhor sobre os mitos & verdades do trabalho dos personal stylists.

Fiz uma tradução livre e bem relax para compartilhar com vocês aqui, espero que gostem!

Todos sabem que as celebridades que passam pelos tapetes vermelhos escolheram suas roupas, maquiagem, jóias, bolsas e cabelo com o aval de um stylist profissional.

Stylists como Rachel Zoe e Robert Verdi ficaram famosos a ponto de terem seus próprios programas de TV, porém existe uma face inteira do ramo de styling que nunca aparece em uma estréia de filme ou cerimônia do Oscar. Executivas e empreendedoras, inclusive pessoas comuns ocupadíssimas ou precisando de auxílio fashion, comumente fazem uso de personal stylists para melhorar ou atualizar suas imagens e seus armários.

Acredito que qualquer um que seja parte da América corporativa em uma posição de liderança tem a responsabilidade de passar uma imagem profissional, interessante, bem- acabada, e ser um exemplo para outras mulheres“, diz Bernadette Kenny, chefe de recursos humanos da gigante Adecco, empresa de posicionamento profissional.

Kenny, que atualiza seu guarda-roupa semestralmente, usufrui do serviço de personal styling há 15 anos e compra diretamente dos showrooms das marcas. “Moda não é meu forte, e assim não preciso pensar muito nisso”, diz ela.

Mulheres executivas também contratam personal stylists somente para eventos especiais ou quando existe a possibilidade de aparecerem na mídia. Um olhar fashionista também pode ajudar, e muito, quando a mulher está passando por uma transição de indústria ou profissão.

Em 2006, quando Eva Ziegler foi contratada pelo Starwood Hotels e posta para revigorar as marcas Le Meridien e W Hotel, sentiu a necessidade de livrar seu guarda-roupa das remanescências de seu último emprego, na área de branding na Toyota. Segundo Eva, “É importante que, como representante de uma marca, você passe uma imagem coerente com a cara daquela marca.”

Para Eva, que trabalha com a personal stylist Ann Watson, da Henri Bendel, isso significou substituir seus ternos tradicionais por outros de estilistas que seguiam linhas mais limpas e atuais, como Balenciaga. Ela também deixou seus looks mais frescos com acessórios modernos como um colar de prata extra-longo de Heaven Tanudiredja ou fazendo combinações inusitadas como uma saia de renda de Sharon Wauchob, meias de tricô e bota de couro para eventos de trabalho. “Agora eu fazia parte de uma empresa hospitaleira, com um lifestyle mais contemporâneo, e queria refletir isso também em minha imagem”, disse Eva.

Porém, o personal stylist Jill Markiewicz pondera que ênfase demais em estilo pode ter o efeito contrário ao esperado, como foi o caso da primeira engenheira e vice-presidente mulher do Google, Marissa Meyer, que foi bastante criticada pela mídia por causa de seu modo de vestir.

Segundo Markiewicz, o foco pode facilmente se virar para o que a mulher está vestindo e não para o que realmente importa, que são os avanços profissionais que ela obteve.

Como a maior parte dos executivos, Marissa Meyer não fala abertamente se possui ou não uma personal stylist que a auxilia. Os 5 clientes integrais de Jill Markiewicz , executivos que gastam anualmente até 100 mil dólares em roupas e são admirados por seu estilo, preferem não falar abertamente que a possuem como custo fixo em seu orçamento. “A maior parte dos maridos de minhas clientes nem sabem que eu existo, e eu respeito isso. Alguém precisa saber por acaso que você aplica Botox?”, diz a personal stylist.

Ela diz inclusive que não repassa mais aos estilistas os nomes de suas clientes, com medo de suas identidades “vazarem” para a imprensa. Ela conta a história de uma cliente, executiva de Wall Street, que estava “escorregando” e tendo alguns problemas no trabalho quando mencionou para a imprensa que gostava das roupas de Chanel e Oscar de la Renta. A imprensa então a sabotou e publicou que “algumas pessoas achavam que ela era mais um exemplo dos excessos de Wall Street.”

Por essas e outras, Eva Ziegler não revela o conteúdo de seu closet. “É parte do modo como vivo minha vida e não estou gastando quantias absurdas. Além do mais, é meu dinheiro pessoal”, diz ela.

Personal stylists e clientes argumentam que, na verdade, contratar um profissional nesta área essencialmente economiza dinheiro. “O custo de nossos serviços acaba sendo o que você gastaria em um casaco Chanel que você não irá usar” diz Joe Lupo, dono da Visual Therapy, empresa de consultoria de imagem de Nova Iorque que divide com seu sócio Jesse Garza.

Os dois cobram em média 450 dólares por hora de seus clientes. E Joe Lupo adiciona: “Não é o caso de ser fútil, mas sim de possuir um armário inteligente e racionalizado. As pessoas irão usar suas roupas até a morte e isso é totalmente anti-desperdício.”

Lupo e Garza não revelam os nomes de seus clientes e somente dizem que eles fazem parte das famílias mais importantes dos EUA. “Eles sabem que nós não falamos”, diz Garza. “Nossos clientes não são exibidos e não querem passar a impressão errada. Eles apenas preferem focar em seus negócios e suas famílias ao invés de ter que entrar na correria para montar seus looks nos finais de semana.”

Além deste medo que as mulheres tem de as pessoas acharem que é um fútil contratar um personal stylist, existem ainda outras questões mais emocionais.

“Elas não gostam de admitir que não sabem se vestir bem sozinhas”, diz Nancy Berger, que cobra 150 dólares por hora de seus clientes, com um mínimo de duas horas para fazer compras e analisar guarda-roupas. “Uma vez entrei no apartamento de uma mulher e a primeira coisa que ela me disse foi para não julgá-la. Por isso, trato esta questão com o maior cuidado.”

Como qualquer pessoa que já se olhou no espelho e pensou “será que isto está me deixando mais gorda?” sabe, lidar com mulheres que possuem complexos com o corpo também é outro desafio.

Nancy Berger conta que uma vez teve que se desligar de uma cliente que era uma profissional altamente posicionada do mercado financeiro e havia até escrito um livro, devido a este problema: “Ela não gostava de nada em seu corpo. Nós contratamos um nutricionista, um cabeleireiro, porém nada a fazia ficar feliz. Pedi a ela que fizesse terapia e depois me ligasse para conversarmos novamente.”

Mulheres muitas vezes também se tornam extremamente apegadas a um estilo específico, e atualizá-los pode muitas vezes ser trabalhoso para os profissionais.

Jose Parron, que atua como personal stylist na loja Barneys em Nova Iorque há 16 anos, demorou 3 anos para convencer uma mulher a se desfazer de um sapato de sola pesada preto, que estava grande demais para ela, e substituí-los por um sapato de Azzedine Alaia. “Crescimento é parte do meu trabalho e, como a moda gira em torno de tendências, isso significa muitas vezes tirar as pessoas da zona de conforto”, diz ele. “Porém, eu não posso forçar a pessoa a fazer o que ela não quer. Se não, independentemente de quão bem ela ficou com aquela peça, ela não irá querer ficar com ela.”

Atualmente, Jose Parron está trabalhando com Isabel Toledo, umas das marcas favoritas de Michelle Obama. Porém, segundo ele, seus clientes não estão pedindo para se parecer com ela: “Eles possuem senso fashion. Só querem ter uma boa aparência e ter seu próprio estilo.”

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