Tive o prazer de assistir ao documentário sublime de Frédéric Cheng sobre as primeiras 8 semanas do estilista belga Raf Simons na maison Dior, tempo que ele teve para criar junto com a equipe sua primeira coleção de alta costura.

O filme retrata bem o quão corrida é a rotina de um designer nos dias de hoje e mostra como é o seu processo de criação (e de como suas inspirações são importantes na hora de criar suas coleções), da adaptação de Raf, que vem de um background mais minimalista e ready to wear, em uma maison tão cheia de tradição, seu relacionamento com a equipe de costureiras que já são praticamente prata da casa, algumas tendo trabalhado com Cristian Dior em pessoa, e conta ainda com alguns trechos narrados do livro de memórias do icônico estilista, “Christian Dior & I”, de 1956.

Dior-posterDior e eu 1 Dior e eu 2 Dior e eu

Mesmo quem não é do mundo da moda vai adorar este filme singelo, que para mim já deixou bem claro que Raf Simons iria ter dificuldades em se adaptar a um ritmo intenso e exigentíssimo de trabalho, tanto que o stress culminou em sua saída da Dior há dois meses, após somente três anos e meio de parceria.

Após sua saída, Alber Elbaz, designer marroquino que comandou a diretoria criativa da Lanvin por quase 15 anos também pediu as contas, e junto com Raf Simons deu início a uma revolução no modo de pensar de todos os envolvidos neste meio. Fica, então, um principal questionamento: de onde virá a inspiração se os designers não tiverem tempo nem para respirar em meio a 5 a 8 coleções por ano (ou mais) para desenvolver, agendas completamente cheias por desfiles, aparições públicas e merchans, interações nas redes sociais, etc. etc. etc.? Será que não está na hora de desacelerar um pouco, do menos que gera mais?

Para pensar…

Depois me contem o que  acharam! 🙂

Beijos e bom final de semana,

Roberta Carlucci