Já fui convidada algumas vezes para fazer aqueles quadros “certo ou errado” na TV: ir para as ruas e analizar os looks das pessoas, como aquelas sessões que a gente via nas revistas antigamente.

Acho que seria super interessante e, talvez, eu não abordasse aquilo da maneira que os jornalistas estavam pensando, mas no fim, sempre aconteceu de eu ter compromissos ou clientes marcados e não poder ir.

Mesmo assim estes convites me fizeram pensar em alguns aspectos da moda e dos gostos de hoje. Será que aquele certo e errado da Capricho funcionaria na atual realidade?

Depois que comecei a trabalhar como personal stylist, o meu relacionamento com a moda mudou drasticamente. Ao invés de julgar de bonito ou feio, hoje prefiro observar imparcialmente e pensar no porque de algo ser mais agradável a meus olhos do que outro algo.

É uma coisa meio instintiva do ser humano, o julgar. Mas é um exercício muito legal também tentar não fazê-lo e sim usar este instinto para aprender mais sobre nós mesmos. Porque algo que agrada ou não?

Saber o que gostamos e quem nós somos de verdade é o primeiro passo para termos mais estilo, pois o estilo vem de dentro!

O bonito ou feio é totalmente relativo, não é mesmo? Eu acho coisas bonitas que vocês de repente acham feias, e vice-versa. E tem coisas que em mim eu não acho legal mas que em outra pessoa eu acho lindo. E isso é super normal. Depende do corpo, da personalidade, se a pessoa “vestiu” aquela peça ou não.

Porque na verdade, existem algumas convenções gerais que nos dizem que para um determinado biotipo, por exemplo, tais e tais roupas ficam mais adequadas e favorecem mais. Porém, se a pessoa não tem aquele objetivo comum ou o favorecer para nós não é o mesmo favorecer para ela, como por exemplo disfarçar o quadril, estas convenções podem e devem ser quebradas.

O que faço hoje é pensar da seguinte forma: eu teria feito diferente. EU. Com base no que eu estudei, nas convenções de harmonia que servem de alicerce para a consultoria de imagem, acho que ela poderia disfarçar esse ponto, usar algo menos justo, ter escolhido outra cor nesta região. Outra coisa teria sido mais adequada.  Naquele tipo de silhueta e proporção, aquilo fica mais harmonioso para meus olhos. E, como profissional, daria estas sugestões à pessoa se ela me contratasse. Su-ges-tões.

Claro que existe o bom senso e convenções que não devem mesmo ser quebradas. Mas, de modo geral, a moda hoje está muito mais livre, muito mais personalizada e descarada mesmo. E assim, nos permite ousar mais e estender os limites, estando claro preparados para as consequências. Se você escolher ousar, tem que aceitar o que pode acontecer se aquilo der errado.

Mas, se não ousarmos e, porque não, as vezes errarmos, como então saberemos o que está certo ou errado para nós mesmos? Uma hora vamos errar, e outras horas iremos acertar. Na hora do erro, nos sentimos envergonhados e na maior parte das vezes já sabemos que erramos antes mesmo de sair de casa, mas aí também saberemos no que erramos e o que fazer diferente na próxima vez.

Apostar sempre nas convenções (preto com branco, bege com branco, cinto combinando com o sapato, terninho preto com calça preta, etc.) é sempre muito mais cômodo e tem menos chances de dar errado, isso é fato. Porém, quando temos a chance de trazer algo de novo, de inesperado à produção, criamos algo mais personalizado e mais interessante, que brilha nos olhos de quem nos observa.

Tem hora para tudo e bom senso é fundamental, mas e daí se tiver errado para alguém se está certo par você?

Enfim, fica aí algo para vocês pensarem também.

Beijocas,