Faz tempo que estou querendo retomar a tag “Diário da Gentante”, mas outros temas acabaram tomando a frente e ficou só na vontade.

Mas, hoje resolvi voltar aos primórdios e falar um pouquinho sobre amamentação, que acredito ser um assunto cheio de dúvidas e desafios para grande parte das mulheres.

Eu queria parto normal, mas Stella estava com o rostinho virado então acabei não tendo dilatação. Mas, por ter passado bastante tempo em trabalho de parto, meu leite desceu ainda na maternidade, quando ela tinha apenas dois dias. E veio que veio!

Quando voltei para casa, meus seios ficaram suuuper inchados e, como ela não dava conta da quantidade de leite que eu tinha para ofertar, acabaram endurecendo e me causando bastante dor. Além disso, com os seios duros, ela não conseguia pegar o bico direito, o que acabou por fissurar a região.

Até tentei tirar leite em casa (eu tenho a bombinha da Medela), mas não tinha habilidade suficiente e acabou não dando certo.

Nesta hora, não tive dúvidas: corri para o Centro de Aleitamento do HU! Stella tinha apenas 4 dias quando cheguei lá e fui “socorrida” pela enfermeira. Ela me deu uma dura por não ter procurado ajuda antes (essas mães de primeira viagem!), mas foi super atenciosa: me ensinou a fazer a massagem para “amolecer” o leite e como fazer a ordenha manual para retirar o que havia acumulado. O leite jorrava do meu seio com força e seria super engraçado, se não fosse trágico e eu não estivesse com tanta dor!

Como eu tinha muito, acabei retirando leite também com a máquina automática deles, o que resultou impressionantes 350ml, que deixei para doação.

Ela também me pediu para amamentar a Stella na frente dela, para ver se a tal da “pegada” estava certa, mas estava tudo OK, o problema era mesmo o inchaço do seio, que dificultava a formação do bico.

O que ela me disse foi o seguinte: se tivermos muito leite e o bebê não mamar tudo, é importante retirar o excesso através da ordenha (manual ou com a bombinha), para que não acumule e empedre até a próxima mamada. Retire um pouco de leite também antes de amamentar caso estiver com o seio muito cheio. Assim o bebê conseguirá pegar o bico com mais facilidade.

O leite, se retirado com os cuidados apropriados, pode ser armazenado na geladeira em frasco de vidro esterilizado por até 24h e depois congelado por até 3 meses. Para reutilizá-lo, basta colocar o frasco em banho maria (nunca no microondas!) e dar para o bebê normalmente.

Quanto às rachaduras do bico, já falei sobre alguns dos preparativos que os médicos recomendam (passar a toalha no bico, tomar sol, aplicar o creminho) mas acabei não sendo muito assídua e, quando Stella nasceu, meu bico acabou rachando no 3o dia.

Vou confessar que é bem sofrido no início, pois quando eles pegam (com força, normalmente) a dor pode ser bem intensa, mas vale muuuuito a pena agüentar um pouquinho, pois logo logo o seio se acostuma e tudo passa, fazendo com que a amamentação seja uma das coisas mais prazerosas de se fazer.

Para mim foram 8 ou 10 dias mais chatinhos e depois, só alegria! Rsrs

Durante estes dias, o que me ajudou muuuuito foi a pomada Lansinoh, que eu passava a cada mamada assim que a Stella terminava e sempre após o banho. Ele é como um bálsamo e mantém a área hidratada, amenizando as rachaduras.

Outro artifício que eu amei foi a tal da concha. Comprei a da Avent e achei maravilhosa, pois ela mantém o bico longe de qualquer atrito, possibilitando a regeneração da pele. Porém, claro, é preciso estar com elas sempre muito bem limpas (eu as esterilizava pelo menos 2x ao dia) e secas, para evitar o aparecimento de infecções ou fungos.

As conchas são ótimas também para usar durante a mamada, pois sempre que você amamenta em um seio, fica vazando um pouco de leite do outro (no meu caso, bastaaaante) e ela “coleta” este leite, não deixando vazar na roupa. Eu nunca usei este leite depois, mas dizem que é possível reutilizá-lo também se seguir algumas instruções que estão contidas no manual.

E, por fim, o sol. Ele é realmente milagroso para curar as rachaduras. Quem puder tomar sol no bico deve fazê-lo diariamente, sempre antes das 10h ou após as 16h.

Enfim gente, o processo é um pouco complicado no início, pois não sabemos direito como agir e tudo é novo. Estamos nos recuperando do parto, dormindo pouco, com seios produzindo leite e o bebê chorando sem sabermos o porquê, mas vale a pena persistir um pouquinho, pois a amamentação é realmente incrível para eles e para nós também. É um momento único, de vínculo de amor só nosso com nossos bebês.

E, qualquer coisa, contem com a ajuda de seus médicos (o obstetra e o pediatra da bebê podem indicar remédios e tratamentos específicos) e também do Centro de Aleitamento (aqui em Floripa tem no HU e na Maternidade Carmela Dutra), pois não somos obrigadas a saber tudo e nem a enfrentar tanta coisa nova sozinhas, não é mesmo? 🙂

Stella mamou quase 6 meses exclusivamente no peito e, mesmo agora com frutinhas e papinhas, pretendo continuar amamentando mais um pouco. Irei parar naturalmente, devagarinho, para quem nem eu e nem ela sintamos tanto a falta deste contato tão importante.

Boa sorte a todas e tenham um ótimo início de vida de mamãe! 😉

Beijocas,

Roberta Carlucci