Vocês já devem ter visto ou ouvido falar do vídeo da Veja SP que causou uma polêmica enorme nos últimos dias, com o depoimento de um empresário entitulado “O Rei do Camarote”. Sim, este daqui!

Confesso que, quando vi, poderia jurar de pés juntos que era uma pegadinha. Não pode ser real! Será?

Mas é.

O empresário realmente existe e realmente acha que precisa de tudo isso para ser aceito, ser admirado e ser feliz.

Tudo bem, cada um pode ser e fazer o que quiser e, no fim, o maior prazer do ser humano é justamente ser admirado. Todos, de certa forma, buscamos isso.

Uma pena é ver que, em nome deste chamado status, ele precise se esforçar e gastar tanto! E o pior: existem MUITAS (muitas mesmo!) pessoas fazendo o mesmo, em maior ou menor grau, mesmo aquelas que não teriam o dinheiro para gastar. Tudo em nome das aparências!

Quando fiz o curso no Istituto Marangoni, em Londres, conversamos bastante sobre este fenômeno que acontece especialmente em paises do 3o mundo, onde a maioria das pessoas adquiriu um certo status ou maior patrimônio recentemente e querem, de qualquer maneira, se diferenciar do “grupo” ou “casta” do qual vieram: é assim na Índia, onde as castas mais ricas usam e abusam de ouro e de tecidos mais nobres para se diferenciarem das castas mais “baixas”. É assim no Brasil onde alguns precisam do carrão e do celular mais top (mesmo que parcelado em 150x e antes de terem sequer a casa própria) para “pertencer” à elite.

E foi para atingir este público que marcas como Calvin Klein, Dolce & Gabbana, Roberto Cavalli e Armani criaram suas marcas “mais populares”, como respectivamente CK Jeans, D&G, Just Cavalli e Armani Jeans, cujas linhas são desenvolvidas para gostos (e bolsos) mais modestos e cujo design precisa deixar claro que são de “grife” – leia-se camisetas com os nomes das marcas escritos em letras garrafais e assim por diante.

Vamos ser felizes sendo nós mesmos? 😉

Não é a toa que o luxo nestes países custa mais caro: as pessoas, mesmo sem poderem, pagam para fazer parte deste mundo, deste grupo. Não importa o preço! Ainda que o serviço/comida/produto em outros países nem seja considerado de luxo, ter se hospedado no hotel X, ter comido no restaurante Y e ter um vestido da marca Z passam uma imagem de sucesso e, entre seus pares, a pessoa passa a ser admirada por isso. E estas coisas geram muitos likes no Instagram! 😉

O triste é que, pessoalmente, acho que há uma imensa inversão de prioridades em tudo isso em nome de ser aceito. E, normalmente, é resultado de pura insegurança!

Para mim, investir em nós mesmas de verdade, em nossas qualidades, em nossa felicidade, é tão mais importante do que investir no que aparentamos ser ou ter… as pessoas estão precisando tanto de cursos de história, português, ética! Economia, política, ler livros e textos que realmente somam em suas vidas, muito mais do que qualquer bolsa de grife…

Viu, antes que gere polêmica, nada contra bolsas de grife, eu as adoro também! Mas elas não devem ser prioridades na vida das pessoas, devem ser consequência do amplo sucesso! Você só deveria gastar nelas se realmente tiver o dinheiro, se ele não for lhe fazer falta. Se já tiver a sua casinha e estas coisas que nos dão um pouco mais de estabilidade.

Se você pode, compre-as à vontade! Mas quem não tem, que se individe para comprar um apartamento, para dar uma melhor educação aos filhos, para fazer um curso na sua área e melhorar como profissional, para fazer terapia! Que economize para comprar um lençol incrível e passar o final de semana na cama, para investir em sua saúde, sua imagem, em sua auto-estima. Para viajar e enriquecer em cultura… Não existe investimento melhor! E, no fim, são estas experiências que levaremos para o túmulo, e não aquela calça da Diesel, né?

Enfim. O post já ficou gigas, mas é mais um textinho para a gente refletir!

Beijos e bom final de semana,

Roberta Carlucci