Tenho percebido cada vez mais em meu trabalho e em conversas com amigas a preocupação das mulheres com o tamanho que usam, com a magreza, com a beleza.

Sempre que pergunto o que elas gostam em sua aparência a resposta é praticamente composta de um ou dois itens somente, enquanto a lista de defeitos que enxergam em si mesmas é quase sem fim! Fico pasma com algumas observações e percebo que a cobrança pela perfeição (que é super relativa, by the way) é realmente muito grande.

Vivemos em uma cidade (um país!) onde a aparência é extremamente valorizada, porém corre-se um sério risco de esta se tornar uma prioridade máxima e deixarmos de viver o que realmente importa. Afinal, não levamos desta vida uma bundinha sem celulite ou uma barriga tanquinho, mas sim as experiências que vivemos, as coisas incríveis que aprendemos, as pessoas que conhecemos, amamos e assim por diante.

Às vezes tenho a impressão de que as pessoas passam a vida na academia e contando calorias para terem um corpo que é praticamente um ideal inatingível e para chegarem mais perto dele o sacrifício é tanto que acabam abrindo mão de muitas coisas boas, como tempo com os filhos, ótimas conversas com os amigos, viagens, experiências gastronômicas e afins. Parece que a felicidade fica condicionada ao ponteiro da balança… E quando a aparência vira a prioridade máxima, começam os medos de engordar, a luta já perdida contra o tempo e as privações extremas que só prejudicam uma vida equilibrada e verdadeiramente saudável.


Acredito muito que todos somos bonitos, temos coisas maravilhosas para mostrar para o mundo e que o equilíbrio é a chave de tudo. Não tenho a pretensão de ser a mais magra do pedaço, até porque me acho linda como sou, meu marido me adora, sou muito feliz! Com certeza tenho minhas inseguranças com qualquer outra pessoa e quero ser saudável. Para isso faço atividade física, cuido um pouco da alimentação, faço exames, mas sem paranoias. E o mais importante de tudo: amo meu corpo do jeitinho que ele é! Aprendi há bastante tempo que este é o que eu tenho e para ter o da Gisele Bündchen só nascendo de novo! Então o jeito é ser feliz com quadrilzão mesmo, com pernocas grossas, celulite e tudo, aprendendo a valorizar minhas qualidades e a não levar aquilo que não gosto tão a sério! E é isso que tento passar adiante para minhas clientes e quero muito que minha filha entenda também.

Tenho visto pessoas deixarem de curtir a gravidez porque estão engordando, porque o corpo não está mais “perfeito” como antes e, pior, quando o bebê nasce entrarem no desespero para voltar ao peso anterior o mais rápido possível. Tenho visto meninas que nem seio têm ainda preocupadas em estarem “gordas” ou “magras” demais por serem muito diferentes das modelos na revista. Pelamor, né? O que estamos ensinando aos nossos filhos?

Acho que o legal é se aceitar, é ser autêntica, é ser inteligente. É enxergar beleza onde os outros vêem defeitos. Se uma pessoa acha que você é menos interessante porque tem uma barriguinha saliente ou um braço mais grossinho, se isso é a única coisa que a pessoa enxerga e se isso é a prioridade para ela, esta pessoa não merece um minuto do seu tempo. E pronto!

Vamos nos aceitar como somos, melhorar aquilo que podemos e relevar aquelas coisas que são inevitáveis. Que tal julgar menos: os outros e nós mesmas? Almejem ter saúde, serem amadas, terem mais cultura, mais tempo livre, serem melhores como seres humanos. O resto é de menos. Sério! A prioridade não é essa, tem muita coisa mais importante (e interessante) nessa vida.

Let’s ler um livro, viajar, curtir os pequenos prazeres da vida sem culpa, sem stress. E vamos gostar do que vemos no espelho independentemente se é 36 ou 46, se tem 10% ou 30% de gordura corporal, se é branco, negro ou amarelo.

Você é linda à sua maneira e a sua medida certa é a que você já tem!

Beijos,

Roberta Carlucci

PS: Pesquisando para este post descobri uma iniciativa incrível da australiana Taryn Brumfitt falando justamente desse assunto: o Body Image Movement. Ela fez o processo reverso: era super sarada e agora tem um corpo “normal”, pois deixou de malhar tão intensamente para curtir mais os filhos e a família.  Neste processo recebeu várias críticas mas também percebeu que muita gente se identificou, especialmente com a imagem negativa que ela tinha de seu próprio corpo mesmo quando era “o ideal de beleza”.

Ela está com um projeto no Kickstarter.com (uma plataforma para angariar fundos) para viabilizar um documentário onde ela trata da auto-imagem feminina e incentiva as mulheres pelo mundo a amarem seus corpos independentemente de medidas. Achei lindo!

Vejam só o vídeo:

Sobre este projeto em português, clique aqui.